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	<title>Outros quinhentos</title>
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		<title>Pelo direito de não ter um iphone</title>
		<link>http://outrosquinhentos.wordpress.com/2011/09/28/pelo-direito-de-nao-ter-um-iphone/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 17:32:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Adoro falar no telefone. Quando era adolescente eu e um amigo adoravamos bater recorde de tempo grudados no tal aparelho. Chegava uma hora que não importava a conversa, repetiamos os de sempre, ficavamos minutos em silêncio. A meta colocada era &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2011/09/28/pelo-direito-de-nao-ter-um-iphone/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=73&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Adoro falar no telefone. Quando era adolescente eu e um amigo adoravamos bater recorde de tempo grudados no tal aparelho. Chegava uma hora que não importava a conversa, repetiamos os de sempre, ficavamos minutos em silêncio. A meta colocada era bater as 4 horas e tantos minutos.</p>
<p>Com celular, sempre houve a tal restrição orçamentária. Desde sempre o meu aparelho móvel é pré pago (ou o pré pago chique, controle). De 2002 quando ganhei o meu primeiro, até hoje, o sinal das companhias melhorou, os planos populares chegaram ao mercado, todo mundo tem pelo menos um celular. Mas para mim a sensação que fica ainda é o pavor de quem começa um assunto longo quando fui eu que liguei. A menos que você seja Vivo local, com quem falo quase de graça, pode crer que minha ligação só é feita se extremamente necessária. Tudo evoluiu mas qualquer conversa de 2 minutos e já vem o  vivo informa que meu saldo está abaixo de 10 reais.</p>
<p>Acho estranho quem gasta mil reais em um celular, por melhor que seja. É muito dinheiro! Mas até hoje, ao menos gostava e desejava um iphone. Ele é lindo, cool, da Apple, perfeito. Todo mundo do trabalho tem. Em todas as reuniões, são sempre dezenas de iphones ou blackberrys. E eu pensando:assim que tiver dinheiro sobrando, vou comprar um também. Claro que tem as bizarrices, em tudo nesse mundo tem. O sujeito (curiosamente o cara padrão daquelas reuniões) que está sempre e a qualquer instante checando o celular e digitando sabe deus o que. Não tem Bloomberg, Reuters nem twitter suficiente pra tanta informação.</p>
<p>No meio da saga &#8220;assim que efetivada comprarei meu iphone&#8221;, faz parte do roteiro uma vergonha que toma conta de mim em saídas onde eu decido colocar meu samsung vermelho em cima da mesa. Se não for com amigo, nem coloco. No trabalho, se entra alguém mais pica grossa, estrategicamente coloco meu casaco sobre o dito cujo. E agora, também com os amigos, estou sendo repreendida. &#8220;Quando você vai trocar seu celular para um decente?&#8221;, &#8220;Pelo amor de Deus, faz um plano que você nem precisa pagar o aparelho&#8221;. Nossa, e quanto fica? &#8220;Com um plano de R$ 159 por mês por dois anos o iphone sai de graça. Uau, que pechincha!</p>
<p>Depois de um dia inteiro numa dessas tais reuniões, tive a epifania de uma nova bandeira inútil de vida. Me sinto mais leve depois de decidir que não quero iphone, blackberry, ou o nome que seja. Primeiro porque presenciei cenas extremas do sujeito tech-addicted. Na espera pela van, dois pares de olhos vidrados no aparelho. Já na van, às 8h57 todos os oito menos um (eu) presentes estavam checando os zero emails novos enviados desde 8h52. Na reunião, uma hora até o assistente do apresentador estava lá, atualizando o brinquedinho. É isso: voltamos a ser criancinhas viciadas em nossa boneca ou no carrinho da moda, o mais descolado e, claro, o mesmo de todo mundo.</p>
<p>Não sou contra tecnologia, nem contra modinhas .Eu mesma adoro algumas, vendida que sou. E acho incrível ipad, kindle, livro digital, a própria internet eu acho uma coisa absurda ainda. No fim de tarde de domingo, depois de um dia tranquilo e lindo na praia e na piscina, entrei rapidinho na internet do hotel. Não tive paciência para ler todos os emails nem para o facebook.</p>
<p>Mas, plagiando minha amiga Carol, eu sou cuzona gente! Tanto que até hoje queria o tal celular com acesso ilimitado a tudo. E mais: um dia de sombra e água fresca não foi capaz de me tirar do vício de verdade, bastou uma segunda de evento e de gente mexendo no celular o dia inteiro para, no final da tarde, eu me ver desesperada no aeroporto, sedenta por internet, e antes que me desse conta estava pagando R$ 13 pro 18 mintos em uma lan house &#8211; sim, elas ainda existem. Ufa, assim deu para apagar os 13 emails do Groupon e Peixe Urbano, 5 do Comunicação e Desenvolvimento da FEA, sabe deus quantos dos mil grupos do yahoo do qual faço parte e 2 direcionados apenas a mim, que obviamente deixei para responder depois.</p>
<p>Então que eu não quero virar refém de mais uma coisa nessa vida. Daqui a pouco já estou acordando no meio da noite para tomar uma água e aproveitando para dar uma olhadinha no gmail. Pelo amor! é pior que cigarro, quanto a este as pessoas ainda tem que lidar com as restrições em lugares fechados. Mas o viciado em celular não, e lá está ele no meio da reunião olhando para baixo e digitando freneticamente, durante uma conversa, e até almoçando. Ninguém se tocou que é falta de respeito também? Não, nada a ver, é interativo, um jeito de estar sempre conectado, sabendo de tudo. Na verdade é muito inteligente, Bia!</p>
<p>Eu fico seis horas por dia na frente do computador trabalhando, sem contar o face eternamente aberto quando estou tomando banho, comendo, (fingindo que) estudando a noite. Já basta ser refém do email, do curtir, do medo de São Paulo, do dinheiro, das convenções, das festas na vivência, da rotina. Uma grande viva ao meu plano de R$ 35 por mês e ao meu celular vagabundo!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/outrosquinhentos.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/outrosquinhentos.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/outrosquinhentos.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/outrosquinhentos.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/outrosquinhentos.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/outrosquinhentos.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/outrosquinhentos.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/outrosquinhentos.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/outrosquinhentos.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/outrosquinhentos.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/outrosquinhentos.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/outrosquinhentos.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/outrosquinhentos.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/outrosquinhentos.wordpress.com/73/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=73&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>7 anos em seis meses</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 02:23:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi muito antes da faculdade que eu aprendi que a vida na verdade é dividida em semestres. Lá pelos meus 11 anos a escola me mostrava que o ano era composto de 4 bimestres e com mais de 20 pontos &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2011/06/29/7-anos-em-seis-meses/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=66&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi muito antes da faculdade que eu aprendi que a vida na verdade é dividida em semestres. Lá pelos meus 11 anos a escola me mostrava que o ano era composto de 4 bimestres e com mais de 20 pontos somados dava pra passar, mas o calendário da FAP ia contra isso e era ele que balizava minha vida; no meio de junho e começo de dezembro estavam os objetivos do ano, divididos no primeiro e segundo semestre, pra culminar nesses dias, depois nas férias, e não importa o que acontecesse, em julho ou janeiro eu esquecia de toda parte ruim e estava pronta e sedenta pelos seis meses de novo.</p>
<p>Uma década depois, trocas de faculdade superadas e a FEA decididamente na minha vida, essa divisão era comum para todos, agora marcada pelas provas unificadas, coincidentemente, também ali no final de junho e começo de dezembro. Não no comecinho de julho ou no final de novembro. No final de junho e no começo de dezembro, bem do jeito que minha cabeça e meu corpo foram treinados para esperar.</p>
<p>Só que vestibular, prova, faculdade, é tudo muito legal, mas como se apaixonar por isso? Passar de uma matéria é antes alívio do que felicidade bruta. Sair com os amigos, morar sozinho, viajar, como cai bem a independência, ter grana pra comprar suas coisas, como é bom namorar. Mas por melhor e maravilhoso que seja ter pessoas amadas ao nosso redor e ir pra outros redores, mais do que o calendário a FAP já tinha me ensinado que o que traz sentido pra vida é aquela alguma coisa que a gente tem que amar. Até porque eu varzeio na faculdade, eu brigo com meu namorado, eu fico de ressaca, eu canso as vezes do trabalho. É tudo parte da vida e que bom que tem tudo isso; mas é na natação que eu sou a melhor Bia que eu posso ser &#8211; não é porque é a natação, é porque é o meu amor, e sou tão grata por saber exatamente qual é o meu, muita gente passa a vida e não descobre isso.</p>
<p>E a FEA foi lá e escancarou pra mim um jeito de sentir de novo aquilo que eu achei que tinha matado e enterrado em 2004. Não foi de cara: no primeiro ano eu não entendia nada a  ainda achava aquilo tudo muito chato, pequeno demais perto do que é uma &#8220;competição de verdade&#8221;. Foi aumentando um pouco a cada ano, e nunca foi tão certo como 2011.</p>
<p>Meus textos sempre partem de uma frase, e esse título já tinha surgido na minha cabeça no ônibus, depois de algum treino voltando da academia pra casa, do nada parece que apareceu completinho tudo que eu escreveria se ganhasse aquela prova. Ia ser aquilo: o tal sentimento inexplicável do Pinheiros 2001 ou Recife 2004, de novo.</p>
<p>Mas dessa vez não veio &#8211; como em tantas outras não tinha vindo.</p>
<p>Voltando de Ourinhos, pensei que pena desperdiçar a ideia, tinha feito todo sentido pensar em reviver tudo depois de 7 anosem só seis meses, com sacrifícios diferentes, técnico diferente, adversários diferentes, competição diferente e até prova diferente, mas com aquela mesma vontade, com o mesmo e único frio na barriga; com o mesmo Caio sempre do meu lado, a mesma certeza de que valia a pena, e em busca do mesmo sentimento depois de olhar o placar. Foi tão intenso que eu até acreditei que era velocista desde criancinha.</p>
<p>Me dei conta que os sete anos em seis meses faziam ainda mais sentido, e até me envergonho de ter duvidado que faziam. Meu dilema do blog não é a coisa mais importante do mundo e estou atrasada pra estudar pra última das unificadas, agora no finzinho de junho, mas nada como se sentir viva de verdade, impagável o calor abafado que vem da baliza e só atrás dela você consegue sentir; nada como o vazio pós uma competição e pra vida toda como é bom chegar em casa com cheiro de cloro e dormir exausta. Nada como manter a dignididade mesmo vendo como é facil se rebaixar &#8211; eu posso me rebaixar em tudo, mas nisso e desse jeito nunca. Nada como poder olhar as fotos, sentir saudades do Caco e do Gérson. E lá pro meio de julho esquecer toda parte chata e voltar a acreditar que de algum jeito dá, encontrar uma hora por dia pra estar no meu habitat natural, sentir prazer na dor, contar os dias que faltam, e fazer tudo igualzinho de novo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/outrosquinhentos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/outrosquinhentos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/outrosquinhentos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/outrosquinhentos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/outrosquinhentos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/outrosquinhentos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/outrosquinhentos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/outrosquinhentos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/outrosquinhentos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/outrosquinhentos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/outrosquinhentos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/outrosquinhentos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/outrosquinhentos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/outrosquinhentos.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=66&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Como é difícil parar</title>
		<link>http://outrosquinhentos.wordpress.com/2011/02/03/como-e-dificil-parar/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Feb 2011 17:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 2004, quando o Cielo ainda era apenas mais um campeão brasileiro de categoria e promessa para o futuro do Brasil &#8211; há tantos como ele, uns que acabam indo para as Olimpíadas e nunca chegam à final, outros são &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2011/02/03/como-e-dificil-parar/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=63&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2004, quando o Cielo ainda era apenas mais um campeão brasileiro de categoria e promessa para o futuro do Brasil &#8211; há tantos como ele, uns que acabam indo para as Olimpíadas e nunca chegam à final, outros são engolidos quando chegam no absoluto, muitos continuam e estagnam nos tempos do passado, tantos outros param, pouquíssimos concretizam o sonho da medalha olímpica -, nesse já longínquo 2004, um destes pouquíssimos brasileiros que já ocuparam um lugar no pódio olímpico, Gustavo Borges, anunciou sua aposentadoria em Atenas.</p>
<p>Já sem condições de competir de igual para igual contra os novos atletas no 10o livre, esta que lhe deu uma prata e um bronze olímpicos, Gustavo nadou somente o 4&#215;100 livre, que quatro anos antes havia lhe dado o bronze junto com os bravos Xuxa, Carlos Jayme e o sempre querido Edvaldo Valério, primeiro negro do Brasil a conquistar uma medalha na natação.</p>
<p>Tenho guardado até hoje o jornal que anunciou sua aposentadoria, em uma manchete perfeita e que me toca até hoje, &#8220;<strong>Borges lembra de Barcelona, do calor seco e de como é difícil parar de nadar&#8221;</strong>. Guilherme Rosenguini, à época na Folha e hoje meu narrador e comentarista preferido do Sportv, conseguiu com &#8220;calor seco&#8221; chegar à expressão exata para tantos lugares onde nadei e de alguma forma me levou  até Atenas quando li essa matéria. Mas mais do que isso, o &#8220;como é difícil parar de nadar&#8221; fez cair a minha ficha sobre tudo o que estava acontecendo, tão parecido o Gustavo Borges comigo.</p>
<p>Eu tinha 16 anos, e enquanto minhas amigas começavam a namorar e trocar a matinê pelas baladas noturnas, eu nadava todos os dias, muitas vezes de madrugada e depois novamente de tarde, em busca da minha redenção. Depois de anos sendo uma das melhores nadadoras de Santos na minha categoria, de conquistar aos poucos meu lugar nos campeonatos paulistas e brasileiros e de provas memoráveis, minha má fase tinha chegado, um ano antes. Um erro de estratégia, um período ruim, eu não sabia o que era, mas como era difícil não melhorar. Junto com a minha, a má fase do meu clube do coração também tinha chegado, e depois de anos sai do Saldanha, para fugir um pouco de algumas pessoas e muito de uma decadência que eu não sabia viver.</p>
<p>Fui para o Santa Cecília viver um dos anos mais intensos da minha vida, para entender como é bonita de verdade a persistência, como é bom se dedicar a um sonho, como uma rotina pode ser intensa em cada dia se o que você faz tem sentido &#8211; não precisa ter sentido para os outros, só para você.</p>
<p>No paulista do meio do ano, voltei ao pódio depois de dois campeonatos, e extensos dezoito meses de dúvidas, mudanças e muitos treinos. Como não podia deixar de ser, foi nos 800 livre (e que pena que demorei tanto tempo para entender que essa era a prova da qual nunca devia ter desistido), a primeira medalha do Santa naquela competição, perdendo para a eterna garota da raia ao lado, Munique Seto, do Corinthians, onde hoje, ironia do destino, meu irmão ajuda atletas de 13 e 14 anos a tornar seus sonhos realidade.</p>
<p>Hoje não sei dizer porque, mas em agosto, na volta das férias, alguma coisa não se encaixava. Me toquei de repente que no outro ano tinha vestibular, e de repente percebi que eu jamais seria uma nadadora olímpica. Simples assim. Percebi que estava perto da hora de escolher se era pra nadar ou estudar, e deus, como é difícil escolher.</p>
<p>E como é difícil parar de nadar.</p>
<p>Pensei bem e continuei. Não foi uma decisão que tomei em algum momento. Fui seguindo a rotina, vieram alguns bons treinos, e veio a notícia de Recife no final do ano. Re-ci-fe, tão bonito e tão fácil de dizer, que antes de conhecer, eu já sabia que era lindo.</p>
<p>Nesse meio tempo também vieram as Olimpíadas. Fiz um caderno onde escrevi sobre todas as provas da natação, comentando as performances da Laure Manadou, do Kitajima, o embate inesquecível de Phelps, Hoogenband e Thorpe, que agora está de volta, para alegria dos amantes deste esporte lindo, nem sempre justo, e sempre cruel que é a natação. Você não pode deixar de treinar nem um dia, e mesmo treinando todos não tem nada garantido (pensando bem, a vida é assim também). Não existe meio esforço para quem quer ser bom na natação.</p>
<p>Vendo as palavras do Gustavo Borges no jornal, me senti um pouco aliviada. Me dei conta que para mim, para ele, para qualquer um que coloca sua vida no esporte, é sempre díficil parar, tendo 17 anos à beira de um vestibular, tendo 40 anos e insistindo como uma leoa por uma final em Finkel, como a admirável Gisele Caetano Pereira. Tendo 30 e poucos anos e se vendo diante de sua última Olimpíada, como foi para Gustavo Borges, tendo uma lesão incurável e em um discurso emocionante, como fez seu xará, brilhantemente, Gustavo Kuerten, em sua despedida.</p>
<p>Estou escrevendo diretamente do computador do trabalho e não quero que este texto chegue ao fim, porque assim parece que estou de volta àquela rotina e amanhã tem Vo2, com bermuda e esporro do Gerson. Me lembro de minha chegada em Recife, do meu 800 livre inesquecível para toda a vida, toda a vida mesmo, onde finalmente ganhei daquela mesma garota da raia ao lado, ela na 6 e eu na 7. Me lembro de não ligar para minha desidratação que me levou ao hospital e me tirou do 400 livre que ainda hoje eu adoraria nadar, do meu último paulista, sem pódio como o primeiro, de nadar fraca e mais magra mas não desistir até o fim. Me lembro de voltar aos treinos no outro ano e não saber como parar, e também de quando essa ideia finalmente se aquietou em mim e eu parei. Do meu último 800 livre literalmente, na piscina do Inter. De como foi difícil falar com o Gerson, da pizza que comi com meus pais de noite, da medalha, a única que faltou, o ouro do paulista, que o Sakai me deu naquele dia. Da carta do Caio que até hoje me faz chorar. E da minha vida que desde então também tem namorado, baladas noturnas, faculdades e outros tipos de risadas e desafios, mas para sempre vai ser um pouco incompleta, porque não tem mais aquela rotina, aqueles treinos; essa vida muito feliz mais um pouco vazia sem a natação.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Crippen, a morte, o mar</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 20:51:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ Já faz três dias da morte de Francis Crippen e vai e vem esse pensamento me passa pela cabeça; hoje, sentada no ônibus voltando do trabalho, quando isso aconteceu de novo, de repente me vi incapaz de lidar com as &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2010/10/26/crippen-a-morte-o-mar/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=58&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Já faz três dias da morte de Francis Crippen e vai e vem esse pensamento me passa pela cabeça; hoje, sentada no ônibus voltando do trabalho, quando isso aconteceu de novo, de repente me vi incapaz de lidar com as lágrimas. Não conhecia Crippen mas o que aconteceu me tocou de um jeito forte e estou muito abalada, como se tivesse perdido um amigo.</p>
<p>Não consigo pensar em um protesto, reclamação ou em dizer que tomara que daqui pra frente a FINA acorde e melhore de uma vez por todas as condições de realização das provas de  maratonas aquática; preferia que essas provas fossem realizadas por mais 100 anos em condições adversas sem que a entidade aprendesse, do que ter uma única vida terminada em função disso – se é com os erros que se aprende, queria que não tivéssemos que aprender nunca. Quando era mais nova, no ápice do meu romantismo, dizia que seria glorioso morrer nadando, mas sou incapaz de olhar para Crippen e conseguir encontrar alguma beleza em sua morte, algum heroísmo, alguma lição, só vejo um cara que perdeu a vida de uma forma trágica, fazendo o que mais ama, muito novo, uma crueldade completa.</p>
<p>Tinha 14 anos quando me vi perdida pela única vez no mar: foi em Caraguatatuba, acho que era minha quarta ou quinta travessia. Durou pouco, em alguns minutos um menino apareceu e passei a segui-lo, contornei a boia, não cheguei a errar o caminho como duas amigas minhas e chegar em outro ponto da praia, disseram que iam anular a prova, nada aconteceu. Na época, mais nova e muito mais corajosa,  não fui capaz de processar o significado daquele imenso mar que me rodeava quando olhei para frente, para trás, e para os dois lados. Ainda bem, acho que se tivesse entendido teria entrada em pânico, o mar é incrível e traiçoeiro, mas há poucas coisas na natureza mais lindas do que ele.</p>
<p>Me senti indigna nesses últimos dias reclamando da minha prova de econometria e dos meus problemas banais, de repente me deu um frio na espinha quando sem querer imaginei a irmã de Crippen recebendo a notícia da morte de seu irmão, gelei me imaginando na situação dela, aguardando seu irmão voltar contando como foi a prova, porque nadou bem ou mal, foi quando pensei nisso que comecei a chorar. O esporte não é justo, mas a vida tampouco é, e isso é amedrontador para quem se acostuma e quer meritocracia, justiça, critérios.</p>
<p>Não sei terminar esse texto de um jeito bonito, mas me lembrei de uma coisa que me conforta um pouco. Dizem que vale mais a pena viver pouco e de forma intensa, do que muito cheio de medos, sem se lançar aos desejos, impulsos, desafios. Esse consolo é parcial, mas me vale para olhar com muito respeito a esse cara que se lançou de verdade a vida, aos seus sonhos, e ao mar. Admiro Francis Crippen e prometo lembrar dele para sempre.</p>
<p> <a href="http://outrosquinhentos.files.wordpress.com/2010/10/crippen.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-59" title="crippen" src="http://outrosquinhentos.files.wordpress.com/2010/10/crippen.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>PS: esse texto é dedicado ao Crippen e ao meu irmão, a pessoa que eu mais amo no mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/outrosquinhentos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/outrosquinhentos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/outrosquinhentos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/outrosquinhentos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/outrosquinhentos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/outrosquinhentos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/outrosquinhentos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/outrosquinhentos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/outrosquinhentos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/outrosquinhentos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/outrosquinhentos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/outrosquinhentos.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/outrosquinhentos.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/outrosquinhentos.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=58&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Brasileiro</title>
		<link>http://outrosquinhentos.wordpress.com/2010/07/13/brasileiro/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 19:14:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Amanhã meu irmão viaja para seu primeiro Brasileiro como técnico, e além de prever a saudade que vou sentir dele me contando sobre os treinos e aulas todos os dias de noite (ou naqueles em que nossos horários malucos permetiam &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2010/07/13/brasileiro/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=52&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amanhã meu irmão viaja para seu primeiro Brasileiro como técnico, e além de prever a saudade que vou sentir dele me contando sobre os treinos e aulas todos os dias de noite (ou naqueles em que nossos horários malucos permetiam que nos encotrássemos), esse começo de semana me fez reviver a saudade de quando eu era igual ao Renan, Brandon, Luiza e Jarrão, e por dias ia dormir com frio na barriga à espera do avião e da piscina do brasileiro.</p>
<p>Já falei como poucas coisas na vida já foram mais importantes para mim do que esses momentos. E continuo achando que essa fase nos define como pessoa, ou, pelo menos, define as melhores lembranças das nossas vidas.</p>
<p>É claro que me lembro de todos os meus brasileiros. E escrevendo esse texto direto do computador do trabalho hoje, percebo que além da saudade eterna que é treinar e competir, sinto muita falta da forma como eu enxergava minha vida:  embora já tenha nadado mal provas importantes por centenas de motivos, nunca fui pro balizamento pensando que se isso acontecesse eu tinha uma outra prova me esperando, ou uma outra competição em breve (ou seja, eu podia até pegar reaval e ter que fazer tudo de novo no outro semestre, mas essa hipótese nunca passava pela minha cabeça até que acontecesse &#8211; e se acontecesse era o verdadeiro fim do mundo). E claro que nunca mudei de prova por causa de adversários, como hoje é simples fazer na escolha dos professores.</p>
<p>Não conheço os atletas do meu irmão a não ser pelas histórias que ele me conta. Mas eu desejo a eles uma ótima noite de sono nessa terça-feira e principalmente para os próximos dias, uma divisão dos atletas entre os quartos do hotel que os deixe contentes, um bom aquecimento (mas aproveito pra contar que, muitas vezes, me senti mal na piscina nesse momento e isso não refletiu em nada na minha prova; cada caída na água é diferente, e a caída na água pra competir é única), desejo que depois de treinar 6 meses eles estejam no melhor de sua forma, com a cabeça tranquila e sem medos maiores do que aquele medo que leva à coragem de que eles precisam.</p>
<p>Tomara que eles levem máquinas fotográficas e tirem muitas fotos, que possam pelo menos olhar o desfile e ver  o hasteamento da bandeira; não sei se o Mario Cardoso Xavier ainda é o locutor das provas, mas se for, tomara que antes deles entrarem na final, ouçam &#8220;E aí estão, senhoras e senhores, os 8 melhores nadadores do Brasil da categoria nesta prova&#8221; &#8211; e se não for mais, façam como eu fiz no Rio de Janeiro e digam isso baixinho para eles mesmos se ouvirem. Para os que não estiverem na final, tomara que melhorem seus tempos em 1 centésimo ou em 10 segundos, como quiserem, e eu desejo que saiam cheios de vontade de lá estar no final do ano. Para os que subirem ao pódio, parabéns, essa medalha fica, parando de nadar ano que vem ou daqui a uma década; para os que nadarem bem, não esqueçam de comemorar &#8211; faz falta quando chega a má fase; para os que naderem mal, podem chorar pro seu técnico, se for sincero ele vai entender. Para todos, tomara que saim da piscina exaustos.</p>
<p>O brasileiro, junto com o paulista, é dessas coisas que mais do que me define: são nomes que já assumiram significado diferente pra mim. Antes de caracterizarem quem nasce no Brasil ou em São Paulo, ao escutar os dois eu penso direto nas duas competições mais legais do planeta, mais que as Olimpíadas, mais que a Copa do Mundo.</p>
<p>Continuo disposta a abrir mão das minhas duas faculdades, do meu dinheiro guardado e do meu cabelo sem cloro, se um gênio da lâmpada me permitir voltar no tempo e nadar um Paulista ou um Brasileiro de novo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/outrosquinhentos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/outrosquinhentos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/outrosquinhentos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/outrosquinhentos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/outrosquinhentos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/outrosquinhentos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/outrosquinhentos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/outrosquinhentos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/outrosquinhentos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/outrosquinhentos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/outrosquinhentos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/outrosquinhentos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/outrosquinhentos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/outrosquinhentos.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=52&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pinheiros</title>
		<link>http://outrosquinhentos.wordpress.com/2009/12/19/pinheiros/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 02:56:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu tinha 11 anos e nadei meu primeiro campeonato paulista, a coisa mais importante da vida passou a ser ganhar uma medalha nessa competição. Não existia namorado. Não existia vestibular. Não existia trabalho, carreira, nem futuro que não fosse &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2009/12/19/pinheiros/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=46&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu tinha 11 anos e nadei meu primeiro campeonato paulista, a coisa mais importante da vida passou a ser ganhar uma medalha nessa competição. Não existia namorado. Não existia vestibular. Não existia trabalho, carreira, nem futuro que não fosse ser a melhor nadadora do mundo.</p>
<p>Eu sabia que a cada seis meses tinha essa competição me esperando, e em cada semestre treinava mais, melhorava mais, e chegava mais perto do meu objetivo. Não existia cansaço, medo, tempo ruim. Se treinasse mal um dia, chorava no chuveiro mas descontava no treino seguinte.</p>
<p>Em junho de 2001, com 13 anos, fui pra Americana e nadei na segunda série, a mais fraca, dos 800 livre. Antes de mim, as meninas nadaram mal. Era minha chance: depois de quatro paulistas, eu chegaria no pódio. Mas não cheguei: fiquei nervosa, piorei 20 segundos, tive vergonha de sair da piscina.</p>
<p>Esse deve ter sido o dia mais importante da minha vida. Passou a existir medo e tempo ruim, mas eu decidi que nunca mais ia treinar seis meses e colocar tudo a perder. Mais do que isso, eu entendi o que era ser atleta – ou seja, aprendi a superar decepções, que são infinitamente piores que os desafios.</p>
<p>Naquele segundo semestre, fiz tudo certo. Fiquei em quinto no brasileiro em Uberlândia, onde me hospedei no mesmo hotel da Joanna Maranhão, que hoje mostrou que está de volta a velha forma e bateu o recorde brasileiro em uma prova linda. Na época com 14 anos, ela já era campeã brasileira infantil e a estrela da competição.</p>
<p>Subi no pódio na copa mercosul, treinei com os mais velhos, quebrei a barreira dos 10 minutos, ganhei tudo em Santos. Mas eu queria minha medalha de paulista. Sonhava com ela antes de dormir, durante a aula de geografia, no chuveiro depois do treino e fiz contagem regressiva pra chegar dia 10/11/2001. Um dia soube que a competição seria no Pinheiros e algumas pessoas reclamaram que lá é muito abafado, acho que na hora devo ter concordado.</p>
<p>A verdade é que eu lembro de tudo sobre aquele dia. De acordar no baby barioni e da padaria onde tomamos café, da van que estava meio atrasada, do aquecimento, do meu maiô azul de papel e do Caco me chacoalhando antes da prova quando comecei a chorar e falando “você ama isso”.</p>
<p>Nunca mais esqueci essa frase.</p>
<p>Atrás da baliza, dei uma risada quando, antes de alcançar meu sonho, eu já tinha alcançado a maturidade por incorporar essa verdade que o técnico da minha vida me ensinou. E no fundo, eu nunca mais deixei de dar uma risada sempre que estive prestes a decidir alguma coisa que estivesse envolvida com amor – nenhum deles maior que a natação, mas a verdade é que todas minhas decisões importantes foram tomadas por amor.</p>
<p>Fiquei em segundo naquela prova, chorei no pódio, no abraço com o Caio, quando vi aquele medalha de prata tão bonita no meu pescoço, no abraço com o Caco, na comemoração. E o que mais me lembro foi de uma hora em que sentei na arquibancada, eu lembro que era muito magrinha na época, me encolhi e chorei sozinha, pensando que eu tinha que aproveitar momentos como aqueles porque eles “devem ser raros”.</p>
<p>E a vida me mostrou que eles são muito raros mesmo.</p>
<p>Acho que consigo contar nos dedos de uma mão dias tão felizes como aquele. E ainda espero pela sensação de ser a dona do mundo como eu senti aquele dia, porque isso eu não vivi nunca mais.</p>
<p>Sete anos depois, quando por um trilhão de razões – hoje parecendo completamente injustificáveis – eu era uma mera expectadora naquela mesma piscina, vi meu irmão chorar o choro mais sincero que já vi, antes de receber sua primeira e sofrida medalha de campeonato paulista. Na mesma piscina que eu realizei meu sonho, a pessoa que eu mais admiro e amo nessa vida, realizou o dela.</p>
<p>Hoje, o máximo de superação que pude contar para minha mãe foi ter conseguido acordar cedo para ir até o mesmo Pinheiros, agora a meia hora de ônibus de casa, ver Cielo, o cara que mais me fez chorar no ano passado, naquele 50 livre das Olimpíadas, nadar em busca do recorde que faltava.</p>
<p>Cielo nadou na piscina em que começou a virar gente grande na natação, no clube que o acolheu e a quem ele, merecidamente, é grato e faz questão de mostrar. Achei que eu estava calejada pra esse tipo de emoção – ainda mais vindo de alguém tão vitorioso, as vitórias dos mais sofridos sempre me valem mais – mas não contive o choro quando o vi subir na baliza e comemorar o novo recorde mundial de 50 livre.</p>
<p>Porque eu sei, nós, ex e sempre atletas, sabemos que embora Cielo e todos os nadadores,do recordista ao último no brasileiro de categoria, estejam loucos para tirar férias e passar pela primeira vez no ano uma semana sem treinar, o momento com que eles sonham sozinhos antes de dormir é esse que Cielo viveu hoje. Não o recorde mundial, mas o mesmo momento que eu vivi em 2001, e o mesmo momento que meu irmão viveu ano passado.</p>
<p>Eu acredito na beleza do esporte porque foi ele que me ensinou a sonhar e a lutar de verdade por um sonho. E eu agradeço ao esporte – e a esse lugar mágico, o Pinheiros – por me darem a honra de entender o que o Cielo está sentindo hoje.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/outrosquinhentos.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/outrosquinhentos.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/outrosquinhentos.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/outrosquinhentos.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/outrosquinhentos.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/outrosquinhentos.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/outrosquinhentos.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/outrosquinhentos.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/outrosquinhentos.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/outrosquinhentos.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/outrosquinhentos.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/outrosquinhentos.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/outrosquinhentos.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/outrosquinhentos.wordpress.com/46/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=46&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O choro de Federer</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 15:17:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Federer]]></category>
		<category><![CDATA[tênis]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma situação curiosa do esporte é que, na vitória, os atletas tem a oportunidade de viver duas vezes o ápice de sua consagração: uma no momento exato em que sua vitória foi alcançada &#8211; o ponto final, o apito do &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2009/02/01/o-choro-de-federer/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=37&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma situação curiosa do esporte é que, na vitória, os atletas tem a oportunidade de viver duas vezes o ápice de sua consagração: uma no momento exato em que sua vitória foi alcançada &#8211; o ponto final, o apito do árbitro, o resultado no placar, a nota anunciada pelos juízes. Momentos depois, o mesmo atleta vive a magia da premiação, de receber sua medalha, levantar a taça, receber sua recompensa pelo trabalho realizado. Já vi atletas falarem que o primeiro momento é incomparavelmente melhor, pois trata-se da felicidade no seu estado mais bruto e uma êxtase que muitas vezes é o que impulsiona a fazer tudo de novo somente para sentir de novo a mesma sensação. Outros preferem o pódio: é o momento em que todos os olhos se voltam somente para ele, e muitas vezes é a partir disso, do sonho materializado em um objeto, que se passa a acreditar que ele de fato aconteceu.</p>
<p>A particularidade do tênis é que nele, mais do que em qualquer outro esporte, o segundo colocado é também exposto duplamente ao momento de comemoração &#8211; mas como derrotado. Ele difere de esportes em que três competidores são coroados com medalhas, mas também difere de disputas entre dois times, porque neste caso há uma equipe inteira que amarga a derrota. No tênis não. É um duelo de horas entre dois indivíduos, e no final o cerimonial é claro: deve-se cumprimentar o adversário na rede e, na premiação, os dois falam ao público.</p>
<p>Hoje, na final do Australian Open, primeiro Grand Slam do ano, se enfrentaram não apenas dois indivíduos, mas os dois melhores tenistas em atividade, e não seria exagero batizar Federer X Nadal como o maior duelo esportivo da atualidade. Além disso, para delírio do circuito de tênis, um esporte que se pretende um jogo de cavalheiros, os dois tem comportamento impecável nesse quesito. Amigos, sempre se cumprimentam gentilmente no final do jogo, e Nadal insiste em dizer, mesmo quando ganha, que Federer é o melhor jogador de todos os tempos.</p>
<p>Nadal sagrou-se campeão pela primeira vez na Austrália, título que Federer já conseguiu três vezes. Federer viu Nadal viver seu primeiro ápice, caindo no chão com os braços abertos, e rapidamente levantando para cumprimentar o oponente suiço. Talvez o mais cruel desse esporte não seja nem mesmo a obrigatoriedade de falar na premiação, mas a espera, sentado, na quadra. Para os espectadores é o momento de euforia, de gritar e aplaudir de pé o campeão; este se vê rodeado de glórias, e para todo lugar que olhar ao redor do quadra, haverá alguém o saudando como vencedor. Do outro lado, o tenista derrotado precisa esperar. E por mais que abaixe a cabeça, ele faz parte dessa mesma festa e escuta os gritos e aplusos da torcida, esperando que fossem pra ele, mas não são. Federer já experimentou os dois lados da estória &#8211; assim como Nadal &#8211; mas hoje o suiço não aguentou.</p>
<p>Quando ouvi Federer, na premiação, dizendo que aquilo era muito difícil para ele, imaginei que ele, como sempre, diria que Nadal era um adversário duro e não tinha dado para ele dessa vez. Mas Federer não conseguiu falar. &#8220;Deus, isso está me matando&#8221;, foi uma frase sincera e difícil, e o suiço não aguentou e chorou. Não um choro contido, e não o choro do campeão, que sempre emociona &#8211; Federer desabou em frente ao mundo inteiro e só conseguiu falar depois, mesmo assim muito emocionado. Já vi atletas chorarem após derrotas &#8211; em entrevistas, pedindo desculpas para a  torcida, sentados no campo, abraçados aos companheiros, escondidos no banheiro. Mas nunca tinha visto alguém chorar tão genuinamente e principalmente, nunca vi ninguém lamentar uma derrota e me parecer tão sozinho. Federer não chorou para se desculpar, para sentirem pena dele, não creio nem mesmo que por perder um torneio de Grand Slam, ou por ter estado irreconhecivelmente mal no último set. Federer chorou para ele mesmo. Não cabe a ninguém dizer o porquê do choro, talvez nem ele saiba, os palpites são muitos: Federer percebeu que não consegue mais ganhar de Nadal, vislumbrou que, mesmo com o dobro de títulos de Grand Slam, pode ser que o espanhol seja quem esteja mais perto de conquistar as quatro edições do torneio, pensou em como antes era fácil e agora de difícil tudo parece ser impossível. Pode ter sido tudo isso, nada, uma combinação de todos esses fatores. Ou pode ter sido o que é crucial e mortal para um atleta: Federer ficou em dúvida. Em todos aqueles momentos de espera, e depois na entrega dos troféus, acho que Federer consigo mesmo se colocou em dúvida: será, que algum dia, eu vou ganhar desse cara de novo? Não vejo sentimento pior para qualquer pessoa do que duvidar de ser capaz de fazer algo que já fizera. Para um atleta, é infinitamente pior do que perder sabendo que podia ter ganhado: nesse caso, há sempre a possibilidade de uma próxima vez &#8211; como, obviamente, há para Federer &#8211; mas a partir do momento que duvida de si mesmo, o mundo, os títulos já conquistados, os prêmios e o dinheiro que possui por alguma razão desaparecem e o atleta se vê sozinho, com a dúvida, sua pior companheira. Não posso afirmar que foi isso que Roger Federer sentiu hoje ao chorar no Aberto da Austrália, mas enquanto o vi tão completamente humano e me parecendo tão sozinho, desejei que, sendo ou não este o motivo, o suiço espante qualquer tipo de dúvida que o vier a acometer.</p>
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		<title>Sim: Automobilismo é esporte</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 22:57:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre tive uma tendência a achar que automobilismo não é esporte. Um pouco por birra por tamanha exposição de um esporte necessariamente restrito a poucos, um pouco por achar que as “máquinas” &#8211; os carros – definiam tudo, e muito &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2008/11/02/sim-automobilismo-e-esporte/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=34&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre tive uma tendência a achar que automobilismo não é esporte. Um pouco por birra por tamanha exposição de um esporte necessariamente restrito a poucos, um pouco por achar que as “máquinas” &#8211; os carros – definiam tudo, e muito por meus conhecimentos limitados a seu respeito. Continuo com a mesma birra, a mesma opinião a respeito dos carros, e com um conhecimento restrito. Mas hoje, percebi meu erro, ao descobrir que o esporte não está nem nas pistas nem nos carros, como também não está nos maiôs nem na piscina, no campo ou nos uniformes dos jogadores, mas nos atletas. Automobilismo é feito de carros superpotentes, de um negócio milionário, equipes e muita publicidade, mas há o motor fundamental sem o qual não existiria – os pilotos. Os atletas.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"> </p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Ano passado, Massa viu seu companheiro de Ferrari Kimi Raikkonen levar o Campeonato na última corrida, após uma combinação incrível de resultados e erros de Alonso e Hamilton, os dois também com chances de levar o título. Massa, inclusive, estava na frente durante boa parte da corrida, realizada no Brasil, e como parte da estratégia da Ferrari colaborou para que Raikkonen assumisse a ponta. Um ano antes, Massa havia sido o primeiro brasileiro desde Senna a vencer um Grande Prêmio do Brasil. Este ano, ganhou mais uma vez, mas por um ponto, na última corrida, Hamilton levou o título.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><a href="http://outrosquinhentos.files.wordpress.com/2008/11/massa.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-35" title="massa" src="http://outrosquinhentos.files.wordpress.com/2008/11/massa.jpg?w=500&#038;h=291" alt="" width="500" height="291" /></a></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"> </p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Após a corrida, ainda no carro, as câmeras pegaram a imagem de Massa chorando ao tirar seu capacete. O piloto saiu do carro, bateu no peito e apontou para o público, emocionado com o que acabara de viver. Faltando duas voltas, o impossível aconteceu: Massa estava na frente e Hamilton era ultrapassado, ocupando a 6ª colocação, a combinação de posições exatas para o brasileiro levar o troféu de campeão. A equipe da Ferrari assistia sem poder acreditar. A McLaren também. No ano passado, Hamilton já havia perdido por 1 ponto, deixaria escapar de novo o título que estava em suas mãos? A torcida brasileira acompanhava empolgada, também sem acreditar que o impossível acontecia. Uma vitória assim, e ainda no Brasil, depois de mais de uma década sem Senna e 17 anos sem um título! Mas a 500 metros do fim, não bastou o Brasil inteiiro ser Vettel desde criancinha, como pediu um eufórico Galvão Bueno. Hamilton ultrapassou Glock a 500 metros do fim, e em 5º lugar, não subiu ao pódio, mas levou o Campeonato por um mísero ponto.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">Um mísero ponto, parecido com um mísero centésimo que levou Cielo a final de 100 livre nas Olimpíadas. Parecido com o único erro de Diego Hypólito na série que é sua especialidade, e justo na hora mais importante. Ou com um gol no último minuto que tirou o São Paulo da Libertadores e manteve aceso o sonho do Fluminense esse ano. “Corrida é assim”, disse Massa na entrevista, e depois completou: “O esporte é assim”. Hoje Massa vai dormir pensando em por que, no longínquo GP de Mônaco, o safety car teve que entrar a atrapalhar sua corrida; por que, no fatídico GP da Hungria, o sempre perfeito motor da Ferrari teve que falhar e fazê-lo sair da corrida faltando três voltas. Vai se pegar pensando, quando a imprensa acalmar, os programas e entrevistas passarem, quando a poeira baixar, por que raios Glock não segurou só mais 500 metros, por que os mecânicos erraram tantas vezes, e tantas coisas que fogem de seu controle: poderia ter chovido naquele GP, poderia ter ido melhor naquele treino e saído na pole, alguém poderia ter ficado em 3º em tal ocasião deixando Hamilton em 4º, tudo poderia ter acontecido diferente e em qualquer lugar vai achar um ponto, o ponto que faltou. Mas o esporte é assim. A “derrota”, se ser o 2º lugar melhor do mundo em alguma coisa puder ser chamada assim, é também a vitória de Hamilton, que do seu lado vai se lembrar em êxtase de cada ponto que conquistou, ou que algum outro piloto ganhou ao invés de Massa, da combinação perfeita que culminou numa vitória emocionante após a decepção do ano anterior. No esporte, milésimos, pontos, erros, acertos, se combinam e contam a história de personagens, com raivas, medos, desejos, sonhos, histórias de vida. Hoje descobri que o automobilismo, como os outros, é feito desses personagens. Então, sim: o automobilismo é esporte.</p>
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		<title>O caso Dantas e a Lei seca</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jul 2008 23:56:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Leis]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Em vigor desde 20 de junho deste ano, a Lei Seca prevê multa de 955 reais, perda do direito de dirigir por um ano e retenção do veículo para motoristas que ultrapassarem o limite de 2 decigramas de álcool por &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2008/07/14/o-caso-dantas-e-a-lei-seca/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=32&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em vigor desde 20 de junho deste ano, a Lei Seca prevê multa de 955 reais, perda do direito de dirigir por um ano e retenção do veículo para motoristas que ultrapassarem o limite de 2 decigramas de álcool por litro, o que corresponde a 1 copo de chopp. A partir de 6 decigramas, à pena soma-se a prisão do motorista. Os testes são feitos por bafômetro, e caso se recuse a fazê-lo o motorista pode ser levado pelo policial a fazer exame de sangue, exame clínico e em último caso, é levado a um médico do Insituto Médico Legal (IML).</p>
<p>A reação à lei era esperada. Associações de bares e comércio reclamaram, motoristas questionaram a rigidez do limite e encontraram-se falhas na lei, tanto no aspecto de sua formulação &#8211; desconsiderar a margem de erro, necessária para qualquer tipo de medição &#8211; como no aspecto legal. Duas liminares já foram concedidas e deve vir mais por aí. A brecha da vez foi o artigo que assegura, na Constituição, o direito do indivíduo de não produzir provas contra si mesmo, lei esta que invalidaria a necessidade do motorista a se submeter ao teste do bafômetro. A Abrasel, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, foi além e entrou com ação no Supremo Tribunal Federal alegando que a lei fere também o direito de ir e vir.</p>
<p>A consequência da lei também não foi uma surpresa. Não se discute a incompatibilidade entre bebida e direção, e o que se viu foram quedas nas mortes tanto nas estradas federais como no trânsito, além da diminuição de pacientes nos leitos de hospitais vítimas de traumas por acidentes desse tipo. No primeiro final de semana de julho, 10 dias após a aprovação da lei, as quedas foram de 45,5% nas mortes em rodovias federais e 19% no atendimento de hospitais de São Paulo.</p>
<p>Os resultados positivos não foram, entretanto, suficientes para validar a lei. Todo tipo de argumentos foi usado posicionando-se contrariamente: &#8220;Se é assim, tem que melhorar o transporte público&#8221;; &#8220;A lei acaba sendo elitista, porque só vai sair quem pode pagar táxi&#8221;;  &#8221;O limite é muito rigoroso, ninguém fica bêbado com um chopp&#8221;. Tem que melhorar mesmo, talvez saia mais quem pode pagar táxi, o limite talvez seja rigoroso, sim, mas nenhum dos argumentos pode ser suficientemente forte frente à situação caótica e ao descontrole vivido no trânsito. Muitos concordam que o limite anterior era melhor, e de fato o limite atual é provisório e talvez seja revisto, mas a rigidez é necessária, pelo menos inicialmente, para que a lei &#8220;pegue&#8221;, no jargão utilizado para referir-se à incorporação da lei por parte dos indivíduos.</p>
<p>Mas o ponto mais importante aqui é a discussão acerca do direito de não produzir provas contra si mesmo. Não se trata de contestar a Constituição, mas esse episódio merece uma crítica às inúmeras interpretações e possibilidades advindas da lei. Não só neste episódio, essa peculiaridade legal atravanca processos, distorce posições da sociedade e têm-se a impressão que para qualquer ação, se munidos de um bom advogado e de alguma lei em mãos, tudo pode ser contestado mesmo que sirva para o bem da sociedade. Leis são necessárias, mas o são justamente para regular o convívio social e é óbvio que qualquer lei restringe em algum grau a liberdade dos indivíduos &#8211; mas sem elas, a vida em sociedade seria impossível. Por mais que sirvam a este fim, muitas vezes as múltiplas interpretações da lei aplicadas a cada ação pontual acabam, no conjunto, sevindo mais às vontades individuais que as da sociedade.</p>
<p> </p>
<p>O banqueiro Daniel Dantas, formado em Economia e Engenharia, consultor econômico do PFL nos anos 90,  criou em 1994 o banco Opportunity e desde então envolveu-se com a gestão de fundos estatais com capital privado, estando na mira da investigação federal desde 1998, por suspeitas de favorecimento ao seu banco na época das privatizações de FHC. Desde então, Dantas construiu uma estrutura de poder que envolvia corrupção, tráfico de influência e setores de comunicação. Ligado ao escândalo do Mensalão, por suspeitas de ligação de suas empresas e do banco com o valerioduto. A operação Satiagraha, da Polícia Federal, que culminou na prisão dele e de mais onze investigados no caso (entre eles o ex-prefeito Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas), começou há quatro anos, na época da CPI dos Correios.</p>
<p>O caso, apesar de longe de estar resolvido, colocou pela primeira vez o banqueiro na cadeia e dispõe de documentos substanciais que colocarão Dantas em uma situação complicada &#8211; os trabalhos foram feitos a partir de dados obtidos em computadores da Opportunity apreendidos no início das operações em 2004.</p>
<p>Subjacente ao caso do banqueiro, chamaram atenção as reações do Congresso &#8211; que alternou silêncio sobre o caso e críticas ao uso de algemas e à espetacularização da PF, desviando o foco dos crimes de que Dantas está sendo acusado. Admite-se a existência de uma &#8220;bancada Dantas&#8221; no Congresso Nacional, que uniria paralmentares da oposição e do governo que possuem ligação com o banqueiro.</p>
<p>Mais notória ainda foi a reação do Judiciário. Impressiona a rápida movimentação de Gilmar Mendes, ministro do Supremo, que concedeu habeas corpus liberatório em dia de feriado em São Paulo, mobilizando instânicas judiciárias e concedendo a liminar com muita rapidez. Mais do que a questão da disputa de poder entre o STF e a 6ª Vara Criminal de São Paulo &#8211; que representa a primeira instância de Justiça Federal &#8211; o que salta aos olhos é a disparidade entre o tratamento dado à Dantas e a morosidade e burocracia caracterísitcas da Justiça. Em sua coluna de domingo da Folha de São Paulo, Eliane Cantanhêde destaca o cansaço do povo em ver o conhecimento jurídico usado para justificar decisões como a soltura de Dantas, enquanto a lei não vale para todos. É de se estranhar a preocupação de Gilmar Mendes em aplicar com tanta rapidez e eficiência o direito do banqueiro de permanecer em liberdade por não representar risco à sociedade. Ainda mais sabendo-se que se trata do topo da hierarquia de uma organização com alto poder de corruptar e intimidar pessoas, partidos e governanetes, e possibilidade da ocultação de provas que o sejam desfavoráveis.</p>
<p> </p>
<p>Guardadas as devidas proporções, os dois casos tratam da utilização das leis e do amparo de quaisquer tipo de ações a partir delas. No caso da lei seca, a idéia de liberdade individual assegurada em lei é usada para barrar benefícios a toda sociedade e a idéia de lei como mecanismo para garantir o convívio social é colocada em segundo plano. No caso de Dantas e a pressa em garantir seus direitos estritamente legais, contrapõe-se o tratamento dado a um indivíduo e o retrato de lentidão da Justiça Brasileira, contribuindo para a imagem de impunidade e de apatia do povo diante das leis &#8211; que não só é impotente para mudá-las, como não as entende e assiste atônito à sua utilização desmedida e contraditória.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/outrosquinhentos.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/outrosquinhentos.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/outrosquinhentos.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/outrosquinhentos.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/outrosquinhentos.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/outrosquinhentos.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/outrosquinhentos.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/outrosquinhentos.wordpress.com/32/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=32&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Publicidade na Web: muito mais que banners e pop-up</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 22:43:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatriz Nantes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faltam poucos minutos para o início da aula e só mais uma informação para terminar aquele trabalho que você deixou para a última hora. A internet é lenta e, para piorar, a página não está abrindo. Depois de tanta demora &#8230; <a href="http://outrosquinhentos.wordpress.com/2008/07/06/publicidade-na-web/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=outrosquinhentos.wordpress.com&amp;blog=2549251&amp;post=31&amp;subd=outrosquinhentos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="corpo">Faltam poucos minutos para o início da aula e só mais uma informação para terminar aquele trabalho que você deixou para a última hora. A internet é lenta e, para piorar, a página não está abrindo. Depois de tanta demora para carregar, salta aos olhos uma pop-up com um anúncio e sua raiva aumenta. Pior do que não prestar atenção, é bem capaz de você transferir a raiva para o produto anunciado, e rejeitar a publicidade tão intrusiva. </p>
<p>Pesquisa da Deloitte, empresa suíça de auditoria, afirma que 25% dos americanos pagariam para ter conteúdo sem publicidade, e 75% consideram a publicidade na web mais intrusiva do que nos gêneros impressos. Não há dados para o mercado brasileiro, mas a pesquisa ajuda a explicar um dos motivos – formatos ainda pouco desenvolvidos e atraentes para o consumidor – pelo qual o percentual reservado à internet ainda é tão pequeno no bolo da publicidade no Brasil, embora tenha sido o que mais cresceu no último ano.</p>
<p>Em 2007, o mercado publicitário brasileiro teve faturamento total de 19 bilhões de reais. O número, que representa um crescimento de 9% em relação ao ano anterior, é composto por nove tipos de mídia &#8211; Cinema, Guias e Listas, Internet, Jornal, Mídia Exterior, Revista, Televisão e TV por Assinatura, segundo classificação do Projeto Inter-Meios. Os meios tradicionais continuam sendo os líderes de investimentos – a Televisão lidera com R$ 11,2 bi, seguida de Jornais e Revistas, respectivamente com R$ 3,1 bi e R$ 1,6 bi.</p>
<p>Entretanto, a liderança das mídias tradicionais esconde uma realidade de crescimento de outros tipos de mídias, que em 2007 tiveram aumento mais significativo. Sob este aspecto, a mídia que teve maior crescimento foi a Internet, com aumento de 45,7%, segundo estudo do Inter-Meios, realizado pelo Grupo M&amp;M. O número é quase o dobro do crescimento do segundo meio que mais cresceu, o cinema, com aumento de 23%. Em números absolutos, foram investidos 526 milhões de reais em publicidade na web, número que representa de 2% a 2,7% do mercado, variando de acordo com a metodologia adotada.</p>
<p>Só no primeiro trimestre de 2008, a publicidade brasileira faturou 4,1 bilhões de reais, o que representa aumento de 15,48% em relação ao mesmo período do ano passado. Desses bilhões, 134,2 milhões foram destinados à Internet, que em março abocanhou 3,2% dos investimentos publicitários. Em comparação ao mês de março de 2007, a Internet passou à frente de Guias e Listas, TV por Assinatura e Mídia Exterior.</p>
<p>O crescimento significativo da publicidade na web pode ser explicado em parte pelo aumento de crédito para aquisição de computadores, que incluiu a classe C no mapa dos compradores do aparelho. Impulsionado por isso, cresceu o número de pessoas com acesso à internet em casa, abrindo o alerta para as empresas sobre a necessidade de investir nesse meio, seja para fornecimento de serviços online, seja direcionando parte de sua publicidade. O número de pessoas com acesso à rede chega a 39 milhões, segundo dados do IBOBE/Net Ratings, dos quais 22 milhões correspondem a usuários com internet em casa.</p>
<p><strong>Mercado</strong><br />
Os números relativos à publicidade online dividem os profissionais do mercado. Ivan Rysoras, diretor de mídia da DPZ, agência de publicidade criada em 1968 e com clientes do porte de Bombril, Petrobrás e Souza Cruz, acredita que os 2% a 3% de participação da internet não podem ser considerados um número pequeno. “No Brasil, há alguns meios que ainda estão muito arraigados na cultura, como a televisão e mesmo o que se propaga de inserção da classe C deve ser relativizado: cresce a venda de computador, mas e a conexão? E o acesso? Tudo isso deve ser levado em conta”. Apesar das ressalvas, Ivan confirma a tendência e acredita que a internet ganhará cada vez mais espaço, principalmente com a crescente fragmentação da audiência – cada vez mais os produtos são direcionados a um público específico e não mais ao público de massa.</p>
<p>Pedro Murray, sócio da Agência Ginga, aponta algumas saídas para ajudar no aumento da participação da internet no bolo total da publicidade no Brasil. A agência, que é especializada em novas mídias, investe em formas criativas de se chegar ao consumidor. “Um dos problemas é que ainda não se sabe muito bem como fazer publicidade na internet. O banner, um dos modelos mais utilizados de publicidade na web, não é um formato bom, é quadrado, feio. O mesmo vale para pop-up, que muitas vezes não é bem vista pelos internautas”, e completa: “Os formatos tradicionais conseguem ser mais “indolores”: quando você vê um outdoor, acaba sendo atingido pela propaganda sem perceber. Pedro propõe formatos criativos para chegar ao cliente, o que é a essência da Agência Ginga, especialista em novas mídias. Com clientes como Playarte, Motorola, LG e Paris Filme, a Ginga foi a idealizadora da campanha de lançamento do filme “Tartarugas Ninja, o retorno”, que chamou a atenção do público com uma projeção de guerrilha urbana em um prédio de 25 andares da Avenida Pauslita, em abril de 2007.</p>
<p>Do lado das empresas, o montante de investimentos direcionados para a internet varia de acordo com o segmento. Para Ivan, da DPZ, as empresas mais ligadas à tecnologia já estão mais habituadas ao meio. Além dessas, o setor bancário também tem aumentado os investimentos em publicidade online. Isso se deve em grande parte à tendência seguida pelo setor de aumentar a disponibilização de serviços na web – dos mais elementares, como pagamento de contas, depósitos, e consulta a saldos, até serviços de homebroker (assistência online para investir em ações na Bolsa).</p>
<p>Outro setor que investe em publicidade online é o de montadoras de automóveis. Fábio Souza, coordenador de webmarketing da Volkswagen diz que 7% do orçamento de propaganda da empresa são investidos na internet. “Investimos em internet desde 2001. Além disso, nosso site é totalmente interativo, e o cliente pode simular a montagem do carro que preferir”.</p>
<p>Um dos pontos comuns entre agências e empresas é que o investimento em internet deve aumentar nos próximos anos, mas depende muito do segmento e do público-alvo da empresa. Pedro Murray, da Ginga, acredita que setores mais ligados à tecnologia têm mais chance de se firmarem. “Os clientes desse tipo de produto são mais acostumados a utilizar a internet para se informar e até para comprar os produtos. No caso destas empresas, é mais fácil aumentar a participação da publicidade na internet”. A projeção de pesquisa da WebTraffic, empresa de marketing online, é que o setor cresça até 80% em 2008, passando a representar um total de 4,5% do bolo total dos bilhões investidos em publicidade no Brasil.</p></div>
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