Amanhã meu irmão viaja para seu primeiro Brasileiro como técnico, e além de prever a saudade que vou sentir dele me contando sobre os treinos e aulas todos os dias de noite (ou naqueles em que nossos horários malucos permetiam que nos encotrássemos), esse começo de semana me fez reviver a saudade de quando eu era igual ao Renan, Brandon, Luiza e Jarrão, e por dias ia dormir com frio na barriga à espera do avião e da piscina do brasileiro.
Já falei como poucas coisas na vida já foram mais importantes para mim do que esses momentos. E continuo achando que essa fase nos define como pessoa, ou, pelo menos, define as melhores lembranças das nossas vidas.
É claro que me lembro de todos os meus brasileiros. E escrevendo esse texto direto do computador do trabalho hoje, percebo que além da saudade eterna que é treinar e competir, sinto muita falta da forma como eu enxergava minha vida: embora já tenha nadado mal provas importantes por centenas de motivos, nunca fui pro balizamento pensando que se isso acontecesse eu tinha uma outra prova me esperando, ou uma outra competição em breve (ou seja, eu podia até pegar reaval e ter que fazer tudo de novo no outro semestre, mas essa hipótese nunca passava pela minha cabeça até que acontecesse – e se acontecesse era o verdadeiro fim do mundo). E claro que nunca mudei de prova por causa de adversários, como hoje é simples fazer na escolha dos professores.
Não conheço os atletas do meu irmão a não ser pelas histórias que ele me conta. Mas eu desejo a eles uma ótima noite de sono nessa terça-feira e principalmente para os próximos dias, uma divisão dos atletas entre os quartos do hotel que os deixe contentes, um bom aquecimento (mas aproveito pra contar que, muitas vezes, me senti mal na piscina nesse momento e isso não refletiu em nada na minha prova; cada caída na água é diferente, e a caída na água pra competir é única), desejo que depois de treinar 6 meses eles estejam no melhor de sua forma, com a cabeça tranquila e sem medos maiores do que aquele medo que leva à coragem de que eles precisam.
Tomara que eles levem máquinas fotográficas e tirem muitas fotos, que possam pelo menos olhar o desfile e ver o hasteamento da bandeira; não sei se o Mario Cardoso Xavier ainda é o locutor das provas, mas se for, tomara que antes deles entrarem na final, ouçam “E aí estão, senhoras e senhores, os 8 melhores nadadores do Brasil da categoria nesta prova” – e se não for mais, façam como eu fiz no Rio de Janeiro e digam isso baixinho para eles mesmos se ouvirem. Para os que não estiverem na final, tomara que melhorem seus tempos em 1 centésimo ou em 10 segundos, como quiserem, e eu desejo que saiam cheios de vontade de lá estar no final do ano. Para os que subirem ao pódio, parabéns, essa medalha fica, parando de nadar ano que vem ou daqui a uma década; para os que nadarem bem, não esqueçam de comemorar – faz falta quando chega a má fase; para os que naderem mal, podem chorar pro seu técnico, se for sincero ele vai entender. Para todos, tomara que saim da piscina exaustos.
O brasileiro, junto com o paulista, é dessas coisas que mais do que me define: são nomes que já assumiram significado diferente pra mim. Antes de caracterizarem quem nasce no Brasil ou em São Paulo, ao escutar os dois eu penso direto nas duas competições mais legais do planeta, mais que as Olimpíadas, mais que a Copa do Mundo.
Continuo disposta a abrir mão das minhas duas faculdades, do meu dinheiro guardado e do meu cabelo sem cloro, se um gênio da lâmpada me permitir voltar no tempo e nadar um Paulista ou um Brasileiro de novo.